domingo, 9 de maio de 2010

Consciência

"Tudo era claro como água. Eu só tinha de seguir aquilo que me diziam.

De repente, tudo se modificou. Aquela estranha sensação que eu tive, já tomara conta de mim. Como era possível que algo tão estranho e perigoso fosse estranha e docemente apetecivel? Começa por um, passa a dois, e depois… Um mundo sem fim!
As sensações apertadas, como se esganassem, outras como se o sol me invadisse, apoderaram-se de mim! Aquilo era apetitoso! E seria eu diferente dos outros?
O meu primeiro charro foi sem duvida estupidamente espectacular. Uma coisa tão pequena e eu levantei voo…
A companhia aqui do pessoal ajudou. Estávamos todos em universos paralelos, todos a delirar e sonhar com os nossos castelos do ar!
O meu era sem duvida uma casa bonita em que eu pudesse estar com os meus amigos, e a noite comer em paz com a minha família, mas o mais engraçado é que era isso mesmo : um castelo no ar.
Dali fomos para uma esplanada, onde bebemos uma atrás da outra, pedindo por vezes uma litrosa, sempre a rir-mos!
- Achas que vai durar esta coisa? – perguntou a Joana.
- Achas, isto já passa, mas depois bora para mais uma ! J
Assim sucessivamente, fui delirando, até que cheguei a casa, onde as minhas acções diárias estavam a acontecer.
Chegar, tirar sapatos, ir para o quarto. Jantar, fumar uma, dormir.
Isto quando não existiam discussões. Ultimamente, alternava entre o meu pai e a minha mãe.
- Já não há respeito! – diz o pai
- deixa a miúda em paz! – diz a mãe
- mas o qe é que queres? Vai-te mas é embora!
As sucessivas discussões foram acompanhando cada passo, cada dia, cada momento da minha adolescência. É claro que era de prever que eu não seria uma adolescente exemplar!
Cada momento em que eu estava em casa, só me apetecia fugir, só me apetecia sonhar. E ai voltávamos ao meu esquema habitual – fumar uma.
Não me apetecia fazer nada, contudo tinha a noção de que a escola estava primeiro. E os meus verdadeiros amigos tambem me ajudavam nessa fase. Com eles eu estudava, e tinha notas espectaculares. O pior foi quando entrei no meu 11º ano… sentia-me sozinha, e acabei nas piores companhias! Só que eu penso agora: isto não era futuro. "

Escrevi isto há dois anos e meio atrás. Apesar de tudo, eu ainda tinha a noção do que fazia, e de que era errado. Cheguei ao ponto de já não saber o meu nome. Cheguei ao ponto de pensar que eram 7h da matina, e eram 7h da tarde. Apesar de todos os avisos, eu nao ligava simplesmente...
Contudo, no dia em que tudo aconteceu tomei consciência.

Agora foi a minha vez de tirar um amigo do fundo do poço.
Olhando para trás, vejo que tomei um rumo tao distante, tão positivo do que tinha nesta altura, e sinto-me FELIZ.

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